Sejamos utópicos, pidamos o possível

Em 1968, a revoluçom era contra uma sociedade abúlica: “Nom queremos um mundo onde a garantia de nom morrer de fame se troque polo risco de morrer de aborrecimento”, diziam. O capitalismo aprendeu a liçom e em 2006 converteu-se num modelo social hedonista… que nom garante as condições mínimas de subsistência.

“A precaridade laboral inscreve-se num modo de dominaçom de novo cunho, baseado num estado generalizado e permanente de insegurança que tende a obrigar os trabalhadores à submissom, à aceitaçom da sua exploraçom. Para caracterizar esse modo de dominaçom que, embora nos efeitos se assemelhe muito ao capitalismo selvagem das origens, carece de qualquer antecedente, alguém utilizou o termo, muito pertinente e expressivo, de flexploraçom. (…) As submissas disposições que produz a precaridade laboral som a condiçom de uma exploraçom cada vez mais lograda, baseada da divisom entre os que, cada vez mais numerosos, nom trabalham e os que, cada vez mais escasos, trabalham mas trabalham cada vez mais. Assim, acho que o que foi apresentado como um regime económico regido polas leis inflexíveis de uma sorte de natureza social é, na realidade, um regime político que só pode instaurar-se com a cumplicidade activa ou passiva dos poderes directamente políticos”.

Pierre Bourdieu, Corte-feux

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