A officina onde os vocabulos se forjão

E fazendo cabeças de alguns senhorios ficou aquella lingoa Gothica, que era comua a toda Hespanha, fazendo alguma divisão & mudança entre si cada hum em sua região segundo a gente com que tratavam como os de Cathalunha que por aaquella parte vir el Rey Pipino de França com os seus ficou naquella provincia sabor da lingoa francesa, & se apartou lhes ficou notavel differnça entre ella & a lingoa de Castella, & as de Galliza & Portugal, as quaes erão antigamente quasi hua mesma, nas palavras, & nos diphtongos, & pronunciação que as outras partes de Hespanha não tem. Da qual lingoa Gallega a Portuguesa se aventajou tanto, quanto na copia e na elegancia della vemos. O que se causou por em Portugal haver Reis, & corte, que he a officina onde os vocabulos se forjão, & pulem, & donde manão para outros homens, o que nunca houve na Galliza.

Escrito por Duarte Nunes em 1606, a Origem da Lingoa Portvgvesa foi dirigido ao espanhol “el Rei Dom Philippe o II de Portugal” e impresso pelo importante tipógrafo do reino, oriundo da Antuérpia, Peeter van Craesbeeck. Pode ler-se em linha aqui (facsimil em pdf; demora em carregar). Via H2omens.

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