A fronteira interior

Manifestantes contra o CPE em Toulouse

Manifestaçom contra o CPE em Toulouse (18.03.2006)

Este movimento é a expressom de um grupo de idade que tem o sentimento – bem justificado – de que a sociedade os aceita enquanto consumidores ou enquanto estudantes, mas que nom é quem de lhes oferecer um futuro. Como todas as mobilizações da juventude, este movimento transformou uma medida “técnica” – um novo contrato de trabalho – num repto simbólico. Igual que o contrato de inserçom profissional, há alguns anos, ou a reforma do bacharelato, o ano passado, o contrato de primeiro emprego (CPE) é percebido como uma medida que acentua uma tendência grave: na distribuiçom social das oportunidades, os recursos e as possibilidades, o nosso país, desde há trinta anos, tratou os jovens como uma variável de ajustamento.

Foram eles os que tiveram direito aos empregos precários, foram eles os que tiveram direito aos estágios nom remunerados, foram eles os que tiveram direito à interinidade, e no entanto a diferença de salários entre o princípio e o fim da carreira nom deixou de aumentar. Pouco a pouco foi-se instalando o sentimento de que uma fronteira interior separava os que estám dentro – que, bem ou mal remunerados, podem independizar-se, alugar um apartamento, pedir um empréstimo – e os que estám fora – o mundo dos bairros ou os estudantado de classe média que vive numa crecente incertidume. Quando o desemprego alcança o 25% nesta faixa de idade, é normal pensar que podes cair no lado mau da barreira.

Entrevista ao sociologista François Dubet no Le Monde [fr]

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