Conceitos da Rua Sésamo

 

Existem dicionários descritivos (como o da Universidade de Oxford para a língua inglesa) e dicionários prescritivos (como o da Real Academia Espanhola para a língua espanhola).

Nos dicionários descritivos podemos encontrar todo o tipo de unidades lexicais: neologismos, estrangeirismos e também palavras mal-soantes, com independência dos referentes que designem e da ideologia – racista, sexista, etc. – reflectida no seu uso. Ora bem, a ausência declarada de qualquer tipo de finalidade preceptiva implica que o registo de uma palavra e um significado deve interpretar-se como uma simples constataçom de uso, e nom como uma recomendaçom, aprovaçom ou reivindicaçom.

Nos dicionários prescritivos, polo contrario, só encontraremos as unidades lexicais que uma autoridade académica seleccionou como normativas. Estas obras nom se situam na esfera do «ser», senom na do «dever ser» lingüístico. No caso da Real Academia Espanhola, esta vocaçom resulta coerente com o seu próprio mote «Limpia, fija y da esplendor» e com a sua história à sombra dos poderes públicos, já desde os recuados tempos de Filipe V. As recentes supressões de referências machistas, racistas ou homófobas – que para muitos académicos devem ser mais dolorosas que uma extracçom dentária – é outro dado que atesta a vocaçom normativa do seu dicionário.

Recentemente, o director da Real Academia Espanhola justificou que o verbete «gallego» saia no seu dicionário com o significado de «tonto» com o argumento de que se trata de uma forma viva em certos países da América latina. Se pretende convencer-nos com esta explicaçom é que pensa que somos parvos de verdade.

6 Comments

  1. Posted Abril 20, 2006 at 1:24 am | Permalink

    vaia… ía a pasar do tema… pero é que me obriga a entrar.

    bicos dende a total discrepancia.

  2. Posted Abril 20, 2006 at 7:35 am | Permalink

    Cesare, agora mesmo nom tenho tempo para polemizar, mas prometo fazê-lo no primeiro momento de vagar. En tu casa o en la mía?

  3. Posted Abril 20, 2006 at 7:54 am | Permalink

    Contudo, suponho que se está de acordo com que se defina gallego como tonto, também estará de acordo com estas definições, todas elas novidades do DRAE2001:

    barzola. f. Bol . mujer violenta y agresiva. bicha . 6. f. coloq. El Salv . novia (mujer que mantiene relaciones amorosas) [sic]. cabra. 7. f. coloq. Chile muchacha [sic]. caraja. 2. f. despect. malson. Col., C. Rica, Hond. y Ven . u. para suplir el nombre de una mujer que no se quiere mencionar para desvalorizarla. copetinera . f. Chile. mujer de alterne. crisanta . f. Chile . mujer que domina a su marido. cuija . 2. fig. Méj . [sic] mujer flaca y fea. chinvarona. 2. f. Nic. mujer ligera de cascos. fondongo, ga . u.t.c.s. 2. f. Méx . mujer perezosa. lorero . m. Nic . lugar donde hay muchas loras (mujeres charlatanas). macaca . 3. f. Ur. mujer difícil de complacer, especialmente respecto de las comidas. machona. adj. colq. Cuba, Ecuad., Hond. y Ur. dicho de una mujer: de hábitos hombrunos. u.t.c.s. madrota. f. Méx. madama (mujer que regenta un prostíbulo). maricueca. m. despect. coloq. Chile. hombre afeminado, cobarde, pusilámine. palillona. f. Hond. y Nic. muchacha vestida con uniforme militar de fantasía que, en ocasiones festivas, desfila junto con otras agitando rítmicamente un bastón y al son de una banda de música. percha. 13. f. coloq. Ecuad. mujer solterona. yegua. 4. f. despect. coloq. Cuba y Ur. mujer grosera…

    Note-se que nas definições de gallego nem sequer se preocupárom de utilizar as etiquetas despect. ou coloq.. Note-se também como o “panhispanismo” é o pretexto perfeito para que os prescritivistas botem a língua a pascer.

  4. Posted Abril 21, 2006 at 1:03 pm | Permalink

    Nestas definicións o único que atopo incorrecto é esa nicaraguana de ‘mujer ligera de cascos’. Quizais sería máis estiloso chinvarona. 2. f. Nic. mujer que tiene relaciones amorosas o sexuales con distintos hombres..

    Desculpen os nicaraguanos se non atinei co significado.

  5. Posted Abril 21, 2006 at 4:12 pm | Permalink

    O que pretendia demonstrar é que a RAE é uma instituiçom ideologizada em valores racistas, machistas e homófobos. Você afirma que se limita a recolher usos lingüísticos que existem. Mas os académicos da RAE arrogam-se uma funçom diferente: decidir o que é espanhol correcto (p.ex. “macaca” referido a uma mulher difícil de comprazer) e o que nom o é (p. ex. “violencia de género”, num relatório recente).

    Aliás, o prescritivismo é uma tendência que está deostada em termos científicos desde os estudos de Saussure: nom lhes interessam todos os usos reais da língua; somente aqueles que eles (porque yo lo valgo) consideram correctos, mas o critério de correcçom é um critério metalingüístico. Por isso entendo preferíveis os dicionários de uso, como o de María Moliner para o espanhol (por mais que os seus herdeiros estejam a escaralhá-lo em cada nova ediçom) ou o Aurélio para o português.

  6. Posted Abril 27, 2006 at 9:04 pm | Permalink

    Concordo parcialmente con vostede…
    Pero en todo caso, que cadaquén arranxe a súa casa, non lle parece?


One Trackback

  1. By Norte Carolina » Blog Archive » Abril 2006 on Dezembro 13, 2007 at 5:23 pm

    […] blogueiros que se queixaron pero ninguén é perfecto e os académicos da RAE non son unha excepción e se […]

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