La condition / Sine qua non / De ma raison

Continuo com a minha desordenada homenagem a Serge Gainsbourg no 15º aniversário da sua morte. Melody Nelson, de 1971, é um álbum conceitual que conta a história da paixom de um homem de meia idade por uma adolescente. Como nos ensinou Nabokov, essas histórias devem acabar em tragédia.

Um francês decadente guia o seu Rolls Royce Silver Ghost por uma estrada secundária. Fascinado polas curvas da estatueta feminina com asas que coroa o radiador do carro, atropela uma rapariga inglesa que vai de bicicleta: é Melody Nelson.

O amor acontece entre luzes psicodélicas e anjos dourados nas escadarias de um hotel rococó. Mas ela quer voltar a ver o céu de Sunderland e embarca num Boeing 707 que nunca chegará ao seu destino. Melody morre e repousa nalgures no fundo do oceano.

O disco contém uma misteriosa clave hermenéutica. A última cançom intitula-se «Cargo cult», e fai referência a certo culto tribal praticado nalgumas tribos de Papua-Nova Guiné. Os indígenas rendem devoçom aos aviões que passam sobre as suas cabeças com a esperança de que se esnafrem para poderem pilhar o seu cargamento.

Et je garde cette espérance d'un désastre
Aérien qui me ramènerait Melody
Mineure détournée de l'attraction des astres

Era a viagem de Melody uma fugida? O acidente foi produto do azar ou foi provocado polo desejo do amante abandonado? Será que eu som mui fantasioso ou existe algum vínculo secreto entre a triste história de Melody Nelson e este poema de Curros?

One Comment

  1. Posted Abril 24, 2006 at 11:53 am | Permalink

    Os resultados mais recentes que oferece o Google sobre Melody Nelson dizem respeito à versom de Placebo para o disco-tributo Monsieur Gainsbourg (2006) com participantes tam ilustres como Franz Ferdinand, Portishead, Tricky, Marianne Faithfull et caetera. Pode comprar-se na FNAC, mas a mula já anda orneando.


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