Ponto É

Terra.gal, Landra.gal, Labrego.gal… assim de bucólica se nos apresenta a associaçom PuntoGal, que reclama um domínio próprio na internet para a língua e a cultura de Galiza. Outros exemplos possíveis seriam o lusista Portu.gal ou o nefando Psoe.gal.

A caixa de Pandora foi aberta polos catalães e a sua bem sucedida campanha PuntCat, que sem dúvida fará as delícias dos amantes de gatos e outros felinos; assim, nom tardaremos em ver endereços como Garfield.cat ou Felix.cat. Também os escoceses querem um domínio .sco (óptimo para o Mari.sco e o Churra.sco) , embora sem renunciar ao mais ambicioso .aa (do nome gaélico do país, Alba).

Parece claro que quantas menos letras mais pedigree. Os domínios de três letras som aceites como um mal menor. Quem quer um .gal podendo ter um .gz? Por isso um domínio de topo de uma única letra deve ser la polla en verso, por utilizar uma expressom na moda. É o que oferece o tradutor automático do jornal La Voz de Galicia:

ponto é

É ou nom é? O automatismo das máquinas tradutoras lembrou-me o automatismo mental dos regedores de certa vila galega que, num arrebato normalizador, dedicárom ruas ao Xeneral Franco e a Xosé Antón“Occorre che cambi tutto, perché non cambi niente”, como dizia Lampedusa no Il Gattopardo… punt Cat?

13 Comments

  1. Posted Junho 8, 2006 at 9:19 pm | Permalink

    Pois É!😀

  2. Posted Junho 9, 2006 at 7:32 am | Permalink

    Mais uma traduçom divertida de Lavozdegalicia.é:

    Estrella Galicia prepara a «Vira dos 100 anos»

    Virarei como a roda do moiiiinho…

  3. Posted Junho 9, 2006 at 8:52 am | Permalink

    Nom sei qual é a versom original espanhola (porque o enlace nom trabalha) mas, em qualquer caso, a cousa tem piada porque assim, “bira” é como se pede uma cerveja em grego: “Mia bira, parakaló!” (uma cerveja para a calor, por favor!) :-))

  4. Posted Junho 9, 2006 at 9:22 am | Permalink

    Certo, eis a ligaçom que trabalha.

    Efgharistó, Suso.

  5. Posted Junho 10, 2006 at 7:11 pm | Permalink

    Eu tenho visto em publicidade de um comércio de Ordes o seu endereço como “Rua Xosé Antonio”, enfim… xD

    Por certo, já volveste de Paris? Provavelmente vaia para ali o ano que vem de Orgamus😀

    P.S. Sub-H?😉

  6. Posted Junho 12, 2006 at 7:52 am | Permalink

    Voltei, voltei. O de ir de orgasmus a Paris é uma experiência muito recomendável, mas tampouco acredites em todos os clichés, Xávi😉

    Sobre o P.S.: isso nunca o saberemos, porque o Sub. H. morreu tragicamente e nom poderá confirmá-lo ou desmenti-lo.

  7. Opentradus
    Posted Junho 12, 2006 at 5:08 pm | Permalink

    É o que tem a tradução automática em tempo real…Por certo, Espanha é ou não é?

  8. Posted Junho 12, 2006 at 5:41 pm | Permalink

    A que te referes com os clichés, ao de Orgasmus? Ná, utilizei esse nome porque o escuitei e me fai graça, sei bem (bom, nom tam bem) que nom tudo vai ser orgamus😉

  9. Posted Junho 13, 2006 at 7:45 am | Permalink

    Opentradus: That is the question😉

    xávi:😆

  10. Posted Junho 13, 2006 at 11:28 am | Permalink

    Para isto é para o único que valen os tradutores automáticos: para botar unhas risadas!!!

  11. Carlos José Teixeira
    Posted Junho 13, 2006 at 3:34 pm | Permalink

    ponto.gal ou ponto.gz… onde andam eles?
    aguardamos por aqui as utilizações futuras esperando que não se esqueçam de colocar a cidade do porto agregada ao domínio.
    abraços,
    ct

  12. Posted Junho 13, 2006 at 5:57 pm | Permalink

    Carlos, és tripeiro? Se tiveres tempo, há uma teoria muito curiosa (e muito freak) sobre a origem comum dos topónimos Galiza e Portugal:

    O nome Galiza, da província romana, procede da tribo dos moradores na desembocadura do Douro (calecos)- zona da actual cidade de Porto, a velha Portuscale e cale vem de Caleci (galegos, e dizer a etimologia seria porto dos galegos).

  13. Carlos José Teixeira
    Posted Fevereiro 5, 2007 at 7:49 pm | Permalink

    Post: sete meses de atraso para uma resposta…
    Bom… estive a ver o referido artigo e não me custa nada concordar com a etimologia ali referida para a palavra Portugal. Na realidade, esta é a junção de Portus e Calem, segundo a teoria mais popular. No entanto, permito-me transcrever na íntegra um artigo que considero extremamente interessante acerca deste assunto e que pode ser encontrado em http://deaveiroeportugal.blogspot.com/2006/12/portugal-de-cale-passando-por_01.html
    Ah! e não sou tripeiro, sou matosinhense!
    O corónimo “Portugal” deriva de Portucale que, como à frente veremos, foi forma toponímica de um lugar na margem esquerda do Douro e de outro na margem direita do mesmo rio, correspondendo a uma tautologia de dois nomes comuns, apelativos de realidades idênticas ou aparentadas, nomes expressos em duas línguas diferentes que conviveram temporal e espacialmente.
    Referimo-nos ao latim portus “passagem, entrada de um porto, porto, refúgio, foz dum rio” e ao celta cale-, ainda vivo nas línguas celtas que chegaram aos nossos dias, como é o caso do escocês cala, caladh, “porto de abrigo para navios” e do irlandês caladh, calaì, “cais, molhe, porto”, estando documentado o médio-irlandês calad “porto de abrigo para navios, baía”. Depois, o tempo foi passando, as gentes foram falando e Portucale acordou “Portugal”, ainda o galaico-português pontapeava o ventre materno, por sonorização da oclusiva intervocálica -c- > -g- e posterior emudecimento e apócope do -e final.
    A convivência de povos de línguas diferentes, numa mesma região, pode levar ao aparecimento de topónimos diferentes apenas na aparência, já que exprimem o mesmo conceito nos respectivos idiomas. Em zonas de usufruto comum, integradas em vivências deste tipo, aparecem também formações tautológicas, juntando num mesmo topónimo elementos de duas línguas adstratas. Servem como exemplos, no Reino Unido, Cheetwood (no Lancashire), do céltico cheet “floresta” + saxão wood “floresta” e Brill (no Lincolnshire), do céltico bre “colina” + saxão hill “colina”; em Espanha, o Valle de Aran, do espanhol valle “vale” + basco haran “vale”; em Moçambique, o “Lago Niassa”, do port. lago + suaíli nyassa “lago”; na Itália, Montegibello (na Sicília), do lat. monte- “monte” + árabe jibal “montes”. Para rematar estes exemplos, temos na Escócia uma tautologia idêntica à de Portucale, para identificar um ancoradouro no Kyles of Bute: Caladh Harbour, topónimo que associa o inglês harbour e o gaélico caladh, ambos a significar “porto de abrigo para navios”.
    Desconhecemos qual seria a grafia e pronúncia da forma galaico-lusitana cale-, já que apenas chegou até nós como topónimo transmitido por romanos, não falantes da língua celta, que, muitas vezes, não tinham grandes preocupações de fidelidade em relação à latinização das falas recolhidas, escondendo numa última consoante, muitas vezes um -s, qualquer som que lhes fosse estranho. Mas não deveria andar longe de cale, se atentarmos no actual português “cala” e no galego cala, vozes que significam “pequeno porto ou enseada muito estreita, com margens íngremes ou entre rochedos”. Muitos dicionaristas atribuem a origem destas falas ao árabe kalla, mas inclinamo-nos muito mais para uma origem pré-romana, como sugere o dicionário de Houaiss, e avançamos para uma etimologia céltica, apoiados nos exemplos fornecidos pelas línguas gaélicas. A reforçar esta opção temos o grande número de topónimos “Cale” (concelhos de Vila Real, Cinfães, Marco de Canavezes e Oliveira de Azeméis, os quatro junto de cursos de água), “Cal” (Norte de Portugal e Galiza) e “Cales” (na Galiza), todos no Noroeste da Península Ibérica, precisamente onde foi menos efectiva e demorada a presença árabe, e a existência de um Caladunum entre Douro e Minho, como podemos ler na Geografia (L. 2, cap. 6, § 39) de Claudius Ptolemaeus (c. 90-168). Este Caladunum, referido por Ptolomeu no século II d.C., deve referir-se a um castro na actual freguesia de Cervos, no concelho de Montalegre. Esta freguesia é atravessada pelo rio Beça, em cuja margem fica um monte ainda hoje denominado Crasto. O território de Cervos era atravessado por uma estrada romana, atestada por dois marcos miliários aqui descobertos, de que nos fala Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno (vol. 2, p. 256-257). Caladunum deveria então corresponder a um castro [céltico dunum “fortaleza elevada”, “colina”], servido por uma “enseada muito estreita, com margens íngremes ou entre rochedos” [céltico cale]. Também na foz do Cávado, frente aos rochedos chamados Cavalos de Fão, houve até há pouco tempo um ancoradouro natural, cujo sítio se chamava “Cala”. Quanto a nós, o problema levantado pela existência de dois topónimos iguais, olhando-se nos olhos com o Douro de permeio, foi resolvido de forma expedita e arguta em 1940, por Cláudio Basto (“Os nomes Cale e Portucale: plano de estudo”, in Revista de Guimarães, número especial, 1940: 83-94), mesmo sem poder contar com o auxílio do elemento cale, cujo étimo não identificou. Para este autor, o topónimo Portucale abrangeria de início as duas margens e o próprio percurso fluvial, considerando o sentido da fala portus que, primitivamente, designaria uma “passagem”, o que aliás já acontecia no indo-europeu *prtu-, de base *per-, o étimo donde deriva. Como nos diz Viterbo, o português “porto”, nos nossos documentos mais antigos, significava

    porta, entrada, garganta do monte ou passagem, já do mar ou rio para a terra,já de uma terra para a outra, atravessando alguma eminência ou cerro, que servecomo de muro ou divisão. Também chamaram Porto, não só o vau de um riocaudaloso, onde se passa em barca, mas também o de qualquer ribeiro, onde sepassa, ou a pé, ou de carro, ou em besta, ou em poldras, ou em ponte sendo darazão do Porto o dar passagem ou entrada (Elucidário, vol. 2: p. 488).
    A fala galega porto, para além do significado hoje mais usual, ainda significa “paso entre montañas que comunica as dúas vertentes”, “lugar estreito ou pouco profundo por onde se pode atravesar um río” (EGU, vol. 14, p. 81, s.v. “porto”). O sentido de “passagem” está também presente noutras falas de outras línguas indo-europeias, derivadas deste mesmo étimo, como no espanhol puerto, quando se refere a “depresión, garganta o boquete que da paso entre montañas”; no francês port “lugar em que há uma barcaça ou barcos para se passar um rio ou ribeira”; no francês pirenaico port “passage dans les Pyrénées”; no antigo germânico *furdu-, donde deriva o alemão furt “vau” e o inglês ford “passar a vau”.
    Por tudo isto, o apelativo “porto”, com a significação de “passagem”, está por detrás de muitos topónimos portugueses que, conjuntamente com Barca, Barco, Barcos, Passadouro, Passagem, Travassô, Vau e tantos outros engrossam a numerosa família dos hodotopónimos. E, nestas andanças de documentar o sentido de portus, acabamos de bater com o nariz no Dictionnaire Universel François et Latin (Dictionnaire de Trevoux), descobrindo que há trezentos anos já se tinha chegado à tautologia atrás enunciada:

    Ce mot de Portugal vient de Portus & de Cale, qui signifie tous deux port. Cale vient de cal, mot Celtique qui veut dire la même chose. De là on a fait Burdicala ou Burdigala, port célèbre de Gascogne (“A palavra Portugal vem de Portus e de Cale, ambas com o significado de porto. Cale vem de cal, palavra céltica que quer dizer a mesma coisa. Esta entrou na formação de Burdicala ou Burdigala [actual Bordéus], célebre porto da Gasconha”) (1732, 3ª ed., Vol. 4, col. 1003).
    A mais antiga alusão à civitas Cale da margem direita do Douro deve-se a Gaius Sallustius Crispus (Hist. III, 43), nas suas Historiarum libri quinque (39 a.C.), narrativas históricas reportadas aos acontecimentos das lutas sociais e políticas que debilitaram a República Romana no século I a.C., no caso em apreço entre 78 e 67. A referência de Salústio chegou-nos numa citação de Maurus Servius Honoratus, datada do século IV e inserida num comentário gramatical e literário sobre Virgílio — os Servii Gramatici in Vergilii AEneidos Librum Septimum Commentarius –, onde, depois de se referir à civitas Cales da Campânia e à Cale (actual Cagli) que demorava na via Flamínia, estrada que ligava Roma a Ariminum (actual Rimini, na costa adriática), afirma:

    est et in Gallia hoc nomine, quam Sallustius captam a Perperna commemorat [e existe (outra civitas) com este nome na Gália, de que Salústio relata aconquista por Perpena].
    Estes acontecimentos teriam tido lugar em 73 a.C., data da incursão de Perpena no Noroeste peninsular, em acções militares que o levaram até ao rio Lima. Considerando que o escrito de Salústio abordava as lutas sertorianas da Hispânia, e que Perpena era um dos generais de Sertório, parece óbvio o lapso na transcrição de Gallia por Gallaecia, incongruência já apontada pelo humanista e académico Isaac Vossius (1618-1689), no segundo volume da edição de Leiden da obra De situ orbis de Pompónio Mela. Se Gallia está por Gallaecia, a menção salustiana permite-nos identificar esta Cale com a povoação da margem direita do Douro, já que a margem esquerda pressupunha uma localização na Lusitânia e não na Galécia.
    Mas, se esta citação corresponde à realidade descrita, também é provável que “Cale” fosse nesta época um simples locus (lugar) e não uma civitas (comunidade-território em volta de uma povoação principal), pois não é mencionado pelos geógrafos que descrevem a Hispânia dos dois primeiros séculos da nossa era, como sejam Estrabão (c. 58 a.C.-c. 25 d.C.), Pompónio Mela (escreve nos anos 40 do século I), Plínio (23-79) ou Ptolomeu (c. 90-168).
    Considerando as fontes conhecidas, a referência seguinte ao topónimo Cale surge no acusativo Calem do Itinerário de Antonino (Itinerarium provinciarum Antonini Augusti), dos finais do século III d.C., identificando a penúltima estação da estrada romana de Lisboa a Braga, a 13 milhas de Lancobriga, a estação anterior, e a 35 (cerca de 52 km) de Bracara Augusta. Esta última distância tem levado muitos investigadores a identificarem este Calem com a civitas da margem direita do Douro, o que, parecendo razoável, não deixa de ser uma mera hipótese. As menções posteriores aparecem já na formação tautológica Portucale. Começamos por destacar um documento da segunda metade do século V, o Chronicon de Idácio — bispo de Chaves que terá vivido entre cerca de 395 e talvez 472 –, um conjunto de crónicas sobre o reino dos Suevos, com a capital em Braga, abarcando o período de 379 a 468. Idácio menciona Portucale, indeclinável, em três parágrafos distintos, uma vez sem qualquer especificação (Aiulfus dum regnum Suevorum spirat, Portucale moritur mense Junio), outra como lugar (Rechiarius ad locum qui Portucale appellatur, profugus regi Theudorico captivus adducitur) e uma última como castro (Maldras germanum suum fratrem interficit, et Portucale castrum idem hostis invadit).
    Devemos uma outra citação a Isidoro (560-636), bispo de Sevilha, em cuja Historia de Regibus Gothorum, Vandalorum et Suevorum, em que narra os acontecimentos relacionados com o reino visigodo da Hispânia, até finais do primeiro quartel do século VII, podemos ler:

    Ipse postremo rex telo saucius fugit, praesidioque suorum carens, ad locum Portucale capitur, regique Theuderico vivus offertur.
    Ainda aqui, continuamos com Portucale reduzido a um simples povoado, não aparentando qualquer preponderância especial. Nas pretensas actas de um alegado Concílio de Lugo, que teria tido lugar em 569, temos a mais antiga menção à existência de um Portucale a norte do Douro e de um outro na margem sul, mesmo que este documento seja posterior àquela data, já que algumas das suas versões apresentam interpolações que remetem para o século XII. Mas, para o que nos interessa, importa referir que não é posta em dúvida a autenticidade do chamado Paroquial Suévico ou Divisio Theodemiri, o elemento mais importante destas supostas actas, cujo original, hoje perdido, deve ter sido redigido entre 572 e 589. O estabelecimento destas duas balizas deve-se ao facto do Paroquial colocar a sede da diocese portucalense em Portucale, sendo certo que a diocese nasce no segundo concílio de Braga (572) com a sede em Magneto (Meinedo, actual freguesia do concelho de Lousada) e que, aquando da realização do terceiro concílio de Toledo (589), a referida sede era, agora sim, em Portucale. Esta Divisio Theodemiri, um acto de administração político-religiosa porventura da iniciativa do rei suevo Teodemiro (559-569), menciona uma paróquia ad sedem Portugalensem in castro novo (junto da Sé portucalense, no castro novo), na actual cidade do Porto, e uma outra denominada Portucale castrum antiquum, na diocese de Coimbra e, por isso mesmo, na margem sul do Douro, no actual concelho de Vila Nova de Gaia.
    Neste desatar de meada cronológica, segue-se um documento de 922, do Livro Preto da Sé de Coimbra.


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  1. By chuza.org on Junho 8, 2006 at 5:22 pm

    Ponto É (moito mellor que o punto gal)

    Parece claro que quantas menos letras mais pedigree. Os domínios de três letras som aceites como um mal menor. Quem quer um .gal podendo ter um .gz? Por isso um domínio de topo de uma única letra deve ser la polla en verso, por utilizar uma express…

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