London calling

Live and let live and remember this line:
Your business is your business and my business is mine

Cole Porter
hackney

Certos compromissos levárom-me este fim-de-semana a Londres. Para um afrancesado like me, é curiosa essa desconfiança dos ingleses cara a tudo o que cheire a Estado (escrito com maiúscula inicial, como mandou Bonaparte). Essa prevençom contra o Leviathan de Hobbes ou o Big Broher de Orwell nota-se nada mais pôr o pé nas Ilhas. No trem que leva do aeroporto de Stansted à estaçom de Liverpool Street, no centro da cidade, um painel informa das correspondências e dos horários, mas também nos explica que existem duas associações de usuários que defendem os nossos interesses se temos alguma queixa polo serviço prestado. Estes colectivos privados desempenham o papel que os continentais reservamos à inspecçom de consumo, ou à junta arbitral de transportes, ou a qualquer outro organismo dependente da Administraçom (novamente com maiúscula).

No encontro em que participei, um dos temas que se discutiam era a incidência sobre o direito à privacidade do sistema de informaçom do Tratado de Schengen e a projectada introduçom de um bilhete de identidade para os cidadãos británicos. A oposiçom a esta medida é unánime entre as organizações de direitos civis e o próprio Governo (pseudo) laborista mostrou claramente as suas avessas intenções ao incluir a proposta de ID card num pacote legislativo centrado na war on terrorism – que incluia, entre outras aberrações jurídicas que nós toleramos alegremente, a possibilidade de estender o período máximo do detençom preventiva sem cargos a 90 dias. A forte oposiçom à medida permitiu uma prórroga ao sistema actual, de forma que os cidadãos que vaiam renovar o seu passaporte podem optar por nom receber o cartom de identidade até 2010.

A defesa das liberdades do indivíduo é um traço característico da cultura británica, o que os leva a admitir facilmente a co-existência das diferentes culturas, até extremos que para nós resultam chocantes (no multi-cultural bairro de Hackney há mulheres que vam ao supermercado vestidas com burqas dignas do mesmo Kabul). Mas por outra parte, é invejável essa forma de tolerar o diferente, de relativizar o externo e de construir a própria identidade mais além de todo convencionalismo: vive e deixa viver. Aqui nasceu o punk.

4 Comments

  1. Hayley
    Posted Junho 26, 2006 at 2:22 pm | Permalink

    Eu prefiro Paris, é muito mais sexy.

  2. Posted Junho 26, 2006 at 5:32 pm | Permalink

    O punk! Gran final!

  3. Posted Junho 26, 2006 at 7:35 pm | Permalink

    Please, Post Scriptum, mind the gap between the train and the platform!😉

  4. Posted Junho 27, 2006 at 2:20 pm | Permalink

    never mind, neither the gap nor the bollocks.😛


One Trackback

  1. By ambien on Fevereiro 3, 2007 at 11:15 am

    ambien

    news

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